segunda-feira, 8 de junho de 2009

Ola! COMO MONTAR UMA NOITE DE VINHOS E QUEIJOS. ( PARTE I)


Olá!
Bom vou começar desejando uma excelente semana a todos!!!
E porque nao começar a semana pensando em ter uma noite agradavél com os amigos?.
O tempo esta propicio pra se ter um reuniao com queijod e vinhos.....hummm...que delicia!!!
Vou dar uma sugestao para montagem de uma reuniao agradavél.
MAOS A OBRA!!!!!

A festa:
Uma festa informal, com muito sabor e beleza, especial para diversos tipos de reuniões com adultos, as mesas de Queijos e Vinhos são muito usadas. Pode comprar tudo pronto ou preparar, você mesmo, algumas tábuas de queijos acompanhadas por cestas de pães variados.

As montagens de tábuas de queijos ainda têm sabor de novidade. São deliciosas, claro, mas o mais importante para quem vai montar uma delas é a parte 'artística', a arrumação , combinando cores e administrando contrastes. A possibilidade de combinações é quase infinita, dependendo sempre de sua disposição para gastar, além das preferências gastronômicas.

Usa-se um prato circular, de madeira, onde podem ser colocados juntos vários tipos de queijo. Para comer, nada de garfo e faca. O queijo deverá ser cortado em pedaços pequenos, colocado com a mão junto com pedacinhos de pão e levados à boca desta forma.

Não esqueça, o mais importante da festa é a sua disposição. Para uma festa assim, você deve estar disposto para atender seus convidados, deixando-os à vontade para que participem da informalidade da reunião, servindo-se e divertindo-se.

Tanto para receber grupos pequenos e íntimos como para grupos maiores, é uma festa deliciosa. Acima de tudo, divirta-se!

Afinal... A arte da 'Degustação de Vinhos e Queijos estão entre os saudáveis alicerces do Amor e da Alegria de Viver'.

Queijo & Vinho até inspiraram poetas :
'Oh! o vinho Chambertin e o queijo Roquefort são excelentes alimentos para restaurar o amor.'
'Os vinhos e queijos não foram feitos para serem bebidos e comidos simplesmente, mas... para serem entendidos e degustados.'


Tábuas:
Tábuas circulares de madeira escurecida, em número suficiente para arranjar os frios necessários para servir seus convidados. Podem ser adquiridas em lojas de artigos para festa ou utilidades domésticas.

Se preferir, ou não encontrar em sua cidade as tábuas de madeira, recorte círculos de papelão grosso, do tipo que se usa para fabricar embalagens e cubra-as com papel estampado imitando madeira, ou xadrez, e plástico filme.

Existem, além disso, estabelecimentos que alugam as bandejas e tábuas para as festas.

Quantidades:
Se você vai receber com vinhos e queijos para jantar, calcule de 150 a 200g por pessoa. (Digamos 150g por convidada e 200g por convidado). Recomendações de 300 gramas por pessoa, só se for muitos tipos de queijos, pois os convidados podem se exceder e provar de muito mais qualidades devido ao visual tentador.
Se, após servir os vinhos e queijos, ainda vai oferecer uma boa e reconfortante sopa de cebolas então a quantidade de queijo pode baixar para 100g por pessoa. Mas, por favor, sopa de cebolas só nos dias frios!
Quanto às previsões para as bebidas, a coisa não é tão fácil! O cálculo aproximado é de meia garrafa por pessoa, com uma reserva de uma garrafa para cada 8, 10 convidados. Bebida é sempre tão difícil de calcular! O bom mesmo é não faltar nada na recepção e o excesso anote para comprar menos na próxima.

domingo, 7 de junho de 2009

VOCE PRETENDE BEBER UM BOM VINHO?


Eleger um bom vinho requer uma certa PAIXÃO pelo gosto e pelo sabor...e ao mesmo tempo, uma certa dose de OUSADIA e de EXPLORAÇÃO.
Cada país tem seus próprios vinhos, uvas e climas. Os métodos são um pouco diferentes, mas são sempre vinhos....esta maravilhosa bebida vermelha....
Não há regras invariáveis, somente pautas. Cada um é seu próprio juiz.
Via de regra, vinhos tintos, para carnes; e, vinhos brancos, para peixes.
O champanhe, combina com todo o tipo de prato em qualquer ocasião.
O APAIXONADO por vinho, escolhe primeiro o vinho...e depois...o prato!



Você pretende beber um bom vinho?
Ótima idéia. É sem dúvida um dos atos que mais prazer pode proporcionar às pessoas. Saiba, porém, que esse prazer só será completo se, antes de degustar o vinho, forem tomados alguns cuidados. A questão é: que critérios devemos ter para escolher e comprar um vinho? Com a abertura de nosso mercado aos importados, o consumidor se vê hoje diante de uma infinidade de opções de compra. As prateleiras dos supermercados estão abarrotadas de vinhos das mais diversas procedências, cada qual de um país, com a sua legislação específica sobre os rótulos, safras, tipos de uva, etc. Some a esses os nacionais, alguns deles de muito boa qualidade. Apesar de não termos uma grande tradição como produtores e consumidores de vinho, (o brasileiro bebe, em média, 2 litros/ano, contra mais de 60 litros bebidos por um francês ou um italiano), tem-se observado um grande aumento de interesse sobre esta bebida. As pessoas querem saber mais para beber melhor. Nesse ponto estamos acompanhando a tendência mundial de diminuição do consumo de vinhos comuns e de aumento do consumo de vinhos finos. Para uma orientação bem genérica nesse sentido, creio que algumas dicas poderão ser basicamente úteis para aqueles que estão se iniciando nessa prazerosa arte: 1 - Compre seu vinho em locais em que haja variedades e, principalmente, boa rotatividade de vendas. O seu risco de comprar um vinho prematuramente envelhecido e mal conservado será quase nulo. Evite comprá-lo em bares e padarias. Fico desolado ao ver aquelas pobres garrafas empoeiradas banhadas pela luz fria a espera de algum incauto. Dê preferência a bons supermercados que armazenem bem o produto. 2 - Escolha sempre vinhos novos, de safras recentes. O provérbio que diz: "quanto mais velho, melhor o vinho" se não é mentira é, pelo menos, uma meia verdade. Ele vale apenas para alguns poucos vinhos (os grandes Bordeaux, os Barolos, os Sauternes, etc...), mas não para a maioria esmagadora de vinhos que consumimos, que quando são colocados a venda já estão prontos para serem bebidos. Se for vinho branco escolha aquele que foi engarrafado "ontem". 3 - Procure se informar sobre o que está escrito nos rótulos. Nos vinhos franceses, por exemplo, a AOC (Vin d´Appellation d'Origine Contrôlée) são, teoricamente, superiores aos VDQS (Vin Delimité de Qualité Supérieure), que, por sua vez, deverão ser melhores que os Vin de Pays. Ainda quanto aos AOC, saiba que, quanto menos genéricos melhor. Assim, um vinho Appellation Margaux Contrôlée devevá ser superior a um apenas genérico Appellation Bordeaux Contrôlée. Evite os Vin de Table. Na verdade, eles nunca deveriam ter saído de sua França natal. Expressões obscuras como "Blanc de Blancs" e outras menos votadas colocadas no rótulo para "enobrecer" o vinho não têm, na verdade, nenhuma função legal. No caso informa que apenas esse vinho branco foi feito com uvas brancas, como acontece na maior parte das vezes já que alguns poucos brancos são feitos com uvas tintas (neste caso, as cascas logicamente, são retiradas do mosto antes da vinificação). 4 - Examine bem a garrafa antes de comprá-la. O nível do líquido nunca deve estar abaixo do normal e a rolha deve estar em boas condições. 5 - Observar a garrafa contra uma forte luz (que não seja fria). Verificar se o vinho branco não está muito dourado, tendendo para o marrom ou, se for tinto, muito acastanhado. São sinais de oxidação. [b]Guardando o Vinho [/b] 6 - Armazene bem o seu vinho caso você não tenha uma adega climatizada, procure guardá-lo num lugar fresco, arejado, longe de odores, escuro, com alguma umidade e cuja temperatura seja constante. Ele deverá ficar deitado, de tal modo que a rolha esteja sempre umidecida para que não venha a ressecar. 7 - Servir os vinhos tintos com temperatura muito elevada ou os brancos excessivamente gelados é um grande erro. Quando você ler que um europeu bebe vinho tinto "chambré", ou à temperatura ambiente, não se esqueça que a temperatura ambiente de um francês é muito mais baixa do que a nossa. Portanto, num dia quente, se você não tiver uma adega climatizada, deixe por alguns minutos seu tinto na porta da geladeira até refrescá-lo (15 graus prara os tintos leves, 18 para mais encorpados +ou-). Vinhos brancos muito gelados perdem em aroma e sabor: Sirva-os entre 7 (brancos leves secos e espumantes) e 11 graus (brancos encorpados). 8 - Compre vinhos que tenham uma boa relação qualidade-preço. Fique de olho nos produtos dos países do chamado Novo Mundo ) Chile,Argentina, Austrália, Nova Zelândia) e de regiões européias emergentes (Alentejo, sul da França). 9 - Não seja um bebedor de rótulos : compre vinhos que tenham a ver com seu gosto pessoal. Vinho é prazer, não é ostentação. 10 - Fundamental: Beba em boa companhia.

sábado, 6 de junho de 2009

OS TERROIR MAIS FAMOSOS DO MUNDO( PARTE3)

E Portugal?
Tradicionalmente um país de vinhos lotados, com muitas castas, só nos últimos vinte anos alterou significativamente o seu perfil de produção. Donde que, para os produtores de antigamente, o conceito de Terroir foi sempre uma ficção francesa. Hoje, com outra viticultura e outra consciência de mercado, há quem reclame Terroirs, mas é mais uma iniciativa de marketing que outra coisa. Em Portugal se se pode atribuir um... digamos...Terroir, será eventualmente a uma parcela de vinha com 2,5 hectares, homogénea, que conquistou elevado estatuto internacional, alto preço, com uma história rica etc. que produz o Porto Vintage Quinta do Noval Nacional. Nascido em 1931 é, porventura, a única marca portuguesa que pode reclamar o espírito de Terroir. Noutra escala de notoriedade, mas igualmente bastante cotados, poderemos considerar igualmente o Quinta do Crasto Maria Teresa ou o Mouchão. Em todo o restante país há vinhas ou parcelas de vinha no Douro, Dão, Bairrada, Palmela e Alentejo que produzem vinhos consistentemente superiores à média da região, por vezes verdadeiramente extraordinários, mas as marcas que deles provêm não são suficientemente fortes e consistentes para conquistarem o difícil e ambicionado atributo no mercado mundial. Além do maisn o actual trabalho da generalidade das adegas portuguesas tende a mascarar e a camuflar qualquer influência de Terroir. Caso ele exista, claro está!
Os Terroirs mais famosos do Mundo
La Romanée-Conti
Os monges chamavam em 1512 a esta vinha de 1.8 ha Le Cloux des Cinq Journaux. São os 18.000 metros quadrados mais famosos do Mundo. O solo desta vinha é calcário castanho com cerca de 60 cm de profundidade e 45% a 49% de argila e as condições de drenagem e exposição fazem-na produzir aquele que é talvez o vinho mais famoso do Mundo.
Le Montrachet
O altar dos vinhos brancos mundiais. Houve batalhas travadas por esta pequena vinha de 8 ha dividida entre quase uma dúzia de produtores. Já em 1855 Lavalle afirmava que qualquer que fosse o preço pago por um Montrachet nunca seria demais, e em 1728 Claude Arnoux afirmava que não havia palavras que descrevessem o vinho de Montrachet e que apesar de ser muito caro era necessário reservá-lo com um ano de antecedência. Parte do segredo do Terroir de Montrachet é o seu solo de pedra calcária e a sua perfeita exposição a sudeste.
Pauillac
Faixa de vinhas com 3 km de comprimento e 6 km de largura na margem esquerda do Gironde produz os Cabernet Sauvignon mais famosos e mais caros do Mundo. Pauillac pode gabar-se de possuir 3 dos 5 Premier Cru Classé do Médoc, além de um grande número de outros super Cru Classés. O segredo deste Terroir é, além da proximidade do rio e mar, o solo de cascalho que além de oferecer excelente drenagem favorece a maturação.
Pomerol
Nesta região de 740 ha de vinha são produzidos alguns dos vinhos mais conhecidos e caros do Mundo. Pétrus e Le Pin lideram inclusivamente o preço de todos os vinhos Bordaleses. São vinhos de garagem com uma procura desenfreada e um preço acima do possível para a maioria dos apreciadores de vinhos. É um planalto a nordeste de Libourne onde o Merlot domina. Os melhores vinhos são feitos na parte alta do planalto em solos pobres onde as camadas de cascalho estão intercaladas com argila rica em ferro.

O TERROIR ( PARTE 2)

O Terroir e o Homem
Há quem defenda que o Terroir dá o carácter do vinho e que a acção do homem a sua qualidade.
O factor humano é indiscutivelmente muito importante na manifestação do Terroir. Sem homem não há Terroir. É sua função e atributo ajudar a natureza a exprimir a suas melhores qualidades no vinho que produz. Associado ao conceito de Terroir está sempre associada a ideia de alta ou mesmo única qualidade. Mas um mau viticultor, preguiçoso ou insensível pode não conseguir fazer um bom vinho mesmo de um Terroir superior. O Terroir e o conceito de qualidade que lhe é inerente só são possíveis através de acção humana bem gerida e orientada.
Um bom Terroir pode também ser neutralizado por uma enologia despótica e demasiado manipuladora e o vinho resultante ser igual a muitos outros vindos de vinhas e solos regulares ou banais. O Terroir é a comunhão de duas realidades altruístas: o melhor da natureza com o melhor do humano. A busca da expressão perfeita da civilização num copo de vinho.

Sem Preço não há Terroir
Ao conceito Terroir está também associado o de “preço alto”. Dai que todos queiram fazer vinhos de Terroir – pelo menos na imaginação.
A famosa classificação dos Crus (Terroirs) bordaleses de 1855 foi sistematizada a partir dos preços de venda estabelecidos durante um século pelo poderoso Império Britânico, seu comprador. Claro que os preços correspondiam à notoriedade alcançada em muitas décadas a partir de uma qualidade ligada a um conceito geológico. No mesmo ano e com base no historial de cada vinha, fama e preço do vinho produzido, Lavalle estabelecia a primeira Classificação dos Crus ou Climats borgonheses (que remontam ao tempo de Carlos Magno - Corton Charlemagne) com base no conceito Terroir. Assim desde o princípio os Grand Cru borgonheses ou os Premier Cru bordaleses estiveram ligados ao alto prestígio, à exclusividade e a preços altos (ainda que não tão altos como na época em que vivemos).
Portanto Terroir não é apenas clima, solo, planta e homem, mas sim também, história e mercado.

A Borgonha dos Terroirs
Para Seguin, a Borgonha é a região do Mundo onde a noção de Terroir tem melhor expressão. A superfície das vinhas ou Crus é reduzida, por vezes dividida por dezenas de proprietários, e em cada Cru, (ou Climat) existe uma grande homogeneidade de solo, subsolo, microclima, quase sempre com uma única variedade plantada (Chardonnay ou Pinot Noir) e um porta-enxerto resistente à clorose, além de homogeneidade nos modos de condução e de técnicas culturais e enológicas. Já em Bordéus, pelo tipo de parcelamento e presença de mais castas, cada Chateau é uma soma de Terroirs distintos. Dai o existirem segundas e terceiras marcas na maioria dos Chateaux.
Na Borgonha e noutros locais do Mundo onde existam Terroirs divididos (Mosel, Alsácia, Champagne) é fácil avaliar a importância da acção humana na expressão de cada Terroir. Mais importante que o nome do Cru é o nome do produtor. Quase todos os Terroirs divididos por vários ou muitos proprietários originam vinhos diferentes, por vezes, demasiadamente diferentes, sendo que o preço nem sempre acompanha esta diferença.

Novo Mundo Versus Velho Mundo
De um modo geral, o Novo Mundo negava a existência do Terroir ainda há poucos anos. Argumentavam que o conceito era anacrónico e que consistia apenas num acção de marketing da velha Europa que perdia todos os anos quotas de mercado para o Novo Mundo.
Com uma vitivinicultura apoiada no pragmatismo e nas boas práticas, o Novo Mundo foi mudando, a pouco e pouco, de opinião. Hoje a sua viticultura de precisão subdivide as vinhas em parcelas com características semelhantes de modo a conseguir uvas com maturação homogénea. É a sua maneira de trabalhar para atingir melhor qualidade. Mais ainda. O Novo Mundo aceita que a denominação de origem ou tipicidade relativa a cada região é o caminho para os vinhos de alta qualidade.
Dois Mundos, dois conceitos de Terroir: o Velho procura reproduzir nos vinhos as especificidades de cada vinha e o Novo aceita o Terroir, ou pelo menos um conceito próximo, como um meio para melhorar os vinhos. Esta nova atitude espalha-se à Argentina, ao Chile, à Nova Zelândia e a todas as vinhas do Mundo de inspiração Novo Mundista que sem o historial e estatuto de algumas regiões europeias têm de lutar com outras armas e adaptar o conceito de Terroir à sua realidade.

O que vem a ser Terroir? Parte 1

O Terroir
Texto João Afonso • Fotos Ricardo Palma Veiga e arquivo
Terroir é aquilo que todos gostavam de ter mas que muito poucos têm. Tema controverso, de complicada definição e polémica aceitação, é no entanto uma realidade ambicionada (ou sonhada) por grande parte dos produtores de vinho no Mundo.
Terroir. Uma palavra francesa que representa um número complexo de factores que influenciam a biologia da videira determinando a qualidade final da uva e do vinho resultante. O termo foi criado em meados do século XIX quando Dubos e Laville, com base na centenária cultura vitivinícola borgonhesa, classificaram as vinhas segundo o seu Terroir. Assim nasceram os “Cru” borgonheses, criados e explorados por ordens religiosas (Beneditinos e Cistercienses) até à Revolução Francesa.

Gosto de Terroir
Há quem defenda que um Terroir consegue transferir para o vinho um gosto único e próprio. Do ponto de vista científico, a frase pressupõe do provador que a emprega uma atitude mais verborreica do que sensitiva. É impossível provar tal ideia embora vários estudiosos já o tenham tentado.
Outros acreditam ainda que as notas aromáticas de mineral (xisto, barro, calcário, talco) ou pederneira se devem à força do Terroir que se entranha nas uvas e chega ao vinho que provamos. Para qualquer bom conhecedor da fisiologia das videiras tal teoria é inverosímil. Aliás, estes aromas minerais estão relacionados com a percepção de componentes sulfurados contidos no vinho (assunto já abordado nos Segredos do Vinho – Redução).
Cientificamente não existe qualquer prova que relacione a composição mineral do solo com o aroma e gosto do vinho. Contudo aceita-se empiricamente que vinhas velhas com enraizamento profundo possam expressar melhor as características do Terroir, ou sítio onde se encontram plantadas, que vinhas novas, ainda que a maioria dos iões minerais pretensamente absorvidos pelas raízes se encontrem em maior número à superfície. Com a evolução da biologia molecular da uva será possível conhecer progressivamente em que medida o Terroir influencia o vinho que ajuda a produzir.

O que é o Terroir
Falar de Terroir é falar de topografia, orografia, geologia, pedologia, drenagem, clima e microclima, condução da vinha, castas, porta-enxerto, intervenção humana, cultura, história, tradição etc.
É muitas vezes confundido com noções mais latas como a Regionalidade e a tipicidade que lhe é inerente. Mas nada de confusões....
A regionalidade refere-se a um âmbito geográfico alargado que inclui latitude, altitude, condições climatéricas gerais, geologia do substracto, estrutura e textura do solo superficial, suas propriedades químicas, físicas, hídricas e térmicas, castas, porta enxertos, possibilidades de crescimento em profundidade das raízes etc.
O Terroir poderá ser tudo isto mas a uma escala parcelar de dimensão limitada e bem definida. Passamos a falar de micro clima, de características muito específicas de solo e, acima de tudo, de grande equilíbrio entre a capacidade de drenagem e a capacidade de fornecer à planta apenas a água necessária para amadurecer convenientemente os frutos (sem estimular o crescimento vegetativo), enfim... passamos a falar de homogeneidade e harmonia absoluta entre microclima, solo/subsolo e planta. A este trinómio terá de se somar o factor humano, por vezes secular e histórico, na sua acção agrícola (escolha dos porta enxertos e castas, condução da cultura, fertilização etc.) e enológica (marcação das vindimas, vinificação, estágio e engarrafamento). Esta é a “tese” defendida por Gérard Seguin reputado estudioso dos solos e Terroirs de Bordéus.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

vinhos x preconceito

Gente achei essa materia da Alexandra Corvo de 2007....Sensacional...Suas colocaçoes sao muito pertinentes aos dias de hoje..Parabens Alexandra Ameiiiiiiii a Materia!!!
Isso mostra como a falta de humildade, insensatez e orgulho que o brasileiro tem de falar ...NAO TENHO CONHECIMENTO DO ASSUNTO....MAS QUERO aprender....Esse assunto mostra aos principiantes dos vinhos que mesmo aqueles que tem um conhecimento intenso do assunto tambem tem duvidas e nao sao tao intocaveis como as vezes parecem.
Alexandra voce sabe dar a cara pra bater sem medo de ser feliz....Mais uma vez Parabens!!!!!

Vinho & Preconceito


Por Alexandra Corvo04.09.2007




É claro que o vinho está rodeado de preconceito. Isto se dá pelo simples fato de que o vinho é um produto humano, e o ser humano tem preconceito. Todos nós temos. Há algum tempo, estive no stand de uma empresa ligada ao mercado financeiro, numa feira do mesmo tema. Fiquei ali para oferecer vinho aos clientes que chegavam, para conversar com eles, tirar dúvidas e ensinar um pouco de degustação para aqueles que estivessem interessados.

Foram dois dias de evento. No primeiro apresentei dois vinhos: um bordeaux da região de Entre Deux Mers e um syrah puro, da região de Costières de Nîmes, no sul da França. Durante a jornada, pessoas foram chegando, na sua maioria homens, de idades variadas. Então começava:

--------------------------------------------------------------------------

"Você tem vinho tinto? Porque eu só gosto de vinho tinto."
"Por que o senhor só gosta de vinho tinto?"
"Porque vinho branco não é vinho." (!?)
"Bordeaux é feito de cabernet sauvignon?"
"Bom, geralmente é um corte de cabernet sauvignon, merlot, cabernet franc e petit verdot. Neste caso, deste pequeno Château, ele é um puro merlot."
"Credo! Porque eu só gosto de cabernet."
"Ah, então o senhor não gosta de Bordeaux?"
"Gosto." (?)
"Então, por que não prova?"
"Grumpf. Tá bom. Humm, bom hein?"
"É, é muito bom." (ah..)

--------------------------------------------------------------------------

"O senhor aceita um vinho?"
"Não, obrigado."
"Não mesmo? Estes aqui são deliciosos."
(Olha para meu crachá com meu nome e arregala os olhos.)
"Desculpe. Você é a Alexandra Corvo. Achei que você era só uma moça bonita para oferecer vinho. Conheço seu trabalho, admiro muito, aceito um vinho sim."
"E se eu não fosse a Alexandra Corvo, o senhor não aceitaria?"
"Não sei..." (?)

--------------------------------------------------------------------------

No segundo dia, tínhamos dois vinhos italianos. Um Chianti Classico de um superprodutor e um IGT da região da Puglia. E segue:

--------------------------------------------------------------------------

"Que vinhos são estes?"
"Olha, senhor, tenho aqui um Chianti..."
"Ah não! Eu conheço o chianti, é muito ruim."
"O senhor já tomou todos os Chianti, de todos os produtores, todas as safras?"
"Não, mas Chianti é tudo igual. Deixa eu provar o outro."

Insisti e sem que ele visse, servi o Chianti.

"Nossa! Excelente, que boa escolha eu fiz, tá vendo moça, sabia que gostaria mais deste."
"Mas este é o Chianti, senhor." (!)

--------------------------------------------------------------------------

Poderia continuar, talvez daria um livro. Mas tentarei — pelo menos uma vez na vida — ser breve. O vinho é rodeado de preconceitos, dos nossos preconceitos. No entanto, posso contar para vocês que já perdi muito tempo da minha vida deixando de provar coisas interessantes por causa desta porcaria de sentimento. Fiquei anos sem provar vinhos californianos, e só agora, depois de uns sete anos trabalhando com vinho ,conheci o frescor de uma uva zinfandel bem vinificada, sem madeira, pura fruta. Isto para citar apenas um exemplo.

Quero perguntar aqui, leitores, quantos vinhos você deixaram/deixarão de provar e gostar por causa dos preconceitos. Porque, nos exemplos acima, eu ainda consegui driblar o consumidor e fazê-los provar, mas não é sempre o caso. Será que o consumidor que achou que eu era "bonitinha" ficaria sem tomar vinho porque não acreditava em mim? Será que isso já aconteceu com vocês? Será que se não for um especialista megaconhecido, com um milhão de credenciais, você não aceitará a opinião? Será que porque você "encasquetou" na cabeça que só gosta de uma uva, você vai deixar de tomar os trilhões de outros vinhos de outras uvas e regiões?

Será que você vai ficar tomando cabernet sauvignon ultramaduro, com 18 meses de carvalho americano novo durante o verão porque a cor do vinho é tão importante assim?

Espero que não, leitores. Espero que da próxima vez que vocês deparem com uma coisa que vocês não gostam, vocês insistam e experimentem. O mundo do vinho não é nada sem o consumidor. O gosto de cada um, ou mais do que isso, a evolução do gosto de cada um de nós é essencial para formatar o mercado e exigir mais do produtor. Se não fizermos isto, seremos prisioneiros dos nossos preconceitos e escravos da opinião dos outros – críticos inclusive.


--------------------------------------------------------------------------------

quinta-feira, 4 de junho de 2009

FEITO NA GARAGEM E COM PREÇO DE FERRARI.

Feito na garagem,
com preço de Ferrari

Vinhos caros produzidos em
pequenas vinícolas são a moda
na Europa e nos Estados Unidos

Edição 1 703 - 6 de junho de 2001 - VEJA-0N-LINE.

Tradicionalmente, os grandes vinhos são produzidos em propriedades privilegiadas pelo solo e pelo clima, seguindo regras perpetuadas por gerações. Dito isso, é fácil supor que para ser badalada uma marca precisa ter pedigree secular. Certo? Errado. Um dos maiores fenômenos do mercado internacional de vinhos é feito num prosaico sitiozinho da Califórnia, e sua primeira safra foi lançada há menos de dez anos. Trata-se do Screaming Eagle, um vinho forte e ligeiramente mais alcoólico que os demais tintos encorpados. Tem sabor tão marcante que não se recomenda tomá-lo como acompanhamento de uma refeição. Uma garrafa de Screaming Eagle custa pouco mais de 100 dólares – mas esse valor é só uma referência. A bebida precisa ser encomendada diretamente ao produtor, mas em geral só está disponível em leilões por preços entre 2.000 e 2.500 dólares. As 6.000 garrafas produzidas por ano são disputadas quase que literalmente a tapa por milionários e amantes do vinho em geral. Em um leilão realizado na Califórnia no ano passado, uma garrafa de 6 litros da safra de 1992 alcançou a cifra astronômica de 500.000 dólares, marco considerável em se tratando de vinhos.


Courtesy of Butterfields Auctioneers
Screaming Eagle
Com produção de apenas 6 000 garrafas por safra, este tinto da Califórnia é arrematado em leilões por mais de 2000 dólares




O Screaming Eagle é o mais vistoso e caro exemplar do que na França é chamado de vins de garage, ou vinhos de garagem. O nome vem da forma como são produzidos. As uvas são cultivadas em pequenas plantações cuja área média equivale à de dois campos de futebol. As prensas do fruto e os barris para envelhecimento do vinho ficam em galpões com o tamanho de uma garagem. A produção gira em torno de 5.000 garrafas por safra. A fórmula foi desenvolvida para fazer frente à produção em larga escala dos grandes châteaux e começou a se popularizar na Europa na década de 80. O ponto de partida foi o Le Pin, um Bordeaux da região do Pomerol, que inspirou equivalentes na Itália e na Espanha. No ínicio dos anos 90, os vinhos de garagem chegaram aos Estados Unidos, onde já existem oito pequenas vinícolas especializadas nesse tipo de bebida. Os americanos os chamam de cult wine.

Outra peculiaridade é a presença ostensiva de enólogos ligados a marcas conhecidas e prestigiadas dando consultoria a essas novas vinícolas. Esses profissionais sabem como valorizar características naturais da região, da uva e do vinhedo e influenciar a qualidade e o sabor dos vinhos. As uvas, geralmente das castas Cabernet Sauvignon e Merlot, permanecem mais tempo nas videiras, sendo colhidas quando já estão muito maduras. Isso confere ao vinho maior volume de álcool. A bebida passa mais tempo em barris de carvalho, muitas vezes novos em folha, o que acentua o sabor da madeira. "A presença de enólogos famosos acelerou o modismo em torno desses vinhos. A produção reduzida fez com que os preços disparassem", diz o especialista paulista Jorge Lucki. Dois vins de garage da região de Saint-Émilion, La Mondotte e Valandraud, tiveram toda a safra de 1999 vendida antes mesmo que fosse engarrafada. A moda já chegou à Austrália. Um lote de três garrafas do desconhecido australiano Duck Muck, produzido pela vínicola Wild Duck Creek, foi leiloado recentemente na Christie's de Los Angeles por 1.725 dólares.